Com
a última grande safra de café em 2002/2003,
podemos afirmar que foi um marco histórico
recente resultando em um novo aprendizado na leitura
e interpretação do cenário macro
café. Haja vista o encontro concomitante de
uma safra recorde com uma desvalorização
do Real beirando os 4,00 por US dólar, reflexo
do calor eleitoral que somados fizeram os diferenciais
para os cafés finos atingirem -23/-27. Isto
ocasionou volumes recordes de embarque e de estoques
internos no cómercio e produção
de tal sorte que consolidaram na época um vício
de origem que, para poderem participar das exportações,
os traders teriam que vender de -22 para pior ou não
teriam condições de manterem seus respectivos
market shares ou sequer pensar em crescer.
Este quadro até então demonstrava uma
desproporção das forças entre
os segmentos no mercado cafeeiro mundial, gerando
uma flagrante fraqueza presente na produção
mundial sem esquecer a participação
agressiva do Vietnam, ocasionando o efeito âncora
nos blends daquele momento e a maior e fundamental
participação dos fundos.
O aumento das taxas de juros e a ortodoxia monetarista
adotadas pelo governo eleito fizeram, o que poucos
acreditavam durante este período, a economia
atingir recordes na balança comercial aproveitando
integralmente a sobrevalorização do
dólar como um rolo compressor abrindo espaço
para uma nova dinâmica cambial e conseqüentemente
comercial, o câmbio de uma única mão
– ladeira abaixo de Novembro/02 até os
dias de hoje e com alguns remotos espasmos, em razão
do fluxo crescente geometricamente vindo da exportação
e investimentos diretos de moedas fortes. Por outro
lado, em razão do aviltamento dos preços
,a produção não tinha como reinvestir
no parque cafeeiro. Conclusão do movimento:
NY saiu dos US 0,48 para até US 1,50, a BM&F
saiu dos US 45 para até US 200. Os diferenciais
e as arbitragens fecharam até -03/-06, movimento
este que durou aproximadamente cinco safras.
Baseados no exposto acima, ficam para todos nós,
profissionais do mercado de café, que teremos
que enfrentar esta nova realidade, a globalização
que veio para ficar, de forma objetiva porque, além
de tradição, seriedade e estrutura,
temos como Nação produtora a maior diversidade
de qualidades, a maior produção e consumo.
Portanto somos por vocação o player
mais respeitado do mundo.
A Produção como Cooperativas e Produtores
caminhapara uma aproximação comercial
crescente com as pontas tomadoras Comércio
Exportador, Indústrias de Torrado Moído
e Solúvel através dos Agentes Financeiros,
Empresas de Insumos, Fundos, Importadores etc. Utilizando-se
de CPRS, CDA, WA, PEPRO, PROP e TERMO. Através
destes instrumentos poderão estruturar operações
de crédito e financiamento junto aos mercados
futuros e de opções podendo agregar
mais valor e mitigação de risco.
Aproveitando esta oportunidade, o Mercado de Café
aguarda com muito interesse uma solução
definitiva para as chamadas de safra que serão
feitas em conjunto pela CONAB e IBGE, com o objetivo
de voltarmos a ter maior credibilidade no âmbito
interno e, principalmente, no internacional.
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