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Dezembro 2007 - Ano 86 - Nº 824

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O barão de Mambucaba, José Luiz Gomes, foi o primeiro proprietário das terras da fazenda Santa Maria, ainda no início do século XIX. Sabe-se, no entanto, que atingiram o apogeu e a decadência nas mãos do barão de Santa Maria, Nicolau Netto Carneiro Leão, que fez construir a atual sede por volta de 1858.

Em 1862, dom Pedro II, viajando pela região para visitar as obras da estrada de ferro que levaria seu nome, passa pela fazenda e escreve em seu diário: “A casa do Carneiro Leão está num belo local junto à confluência do Sacra Família com o Piraí, que admite com dificuldade navegação até a vila, três léguas acima. Deve haver aí estação. Carneiro Leão disse-me que já tem colhido em suas fazendas 23 mil arrobas de café, e espera que a próxima colheita seja de 18 mil e a do outro de 30 mil, tendo-o vendido a 8$000 réis apesar de não despolpá-lo e lavá-lo de todo”.

A casa de vivenda, como se dizia naquele tempo, divide-se em três áreas distintas: área comercial, área social e área íntima, tendo, ao centro, o átrio por onde circula o ar que mantém a boa aclimatação da moradia. Os fazendeiros fluminenses foram e são até nossos dias acusados de terem sido atrasados quanto à metodologia de cultivo e beneficiamento do café, mas a realidade é que muitos foram os fatores que levaram à decadência cafeeira no Vale do Paraíba fluminense, que já foram discutidos amplamente por especialistas da área.

Quando se recorre aos antigos documentos, como inventários post-mortem e hipotecas, é possível verificar que muitos deles procuravam acompanhar as inovações que surgiam no comércio, principalmente no que tange ao beneficiamento e à secagem dos frutos. O barão de Santa Maria certamente pode ser considerado um dos que fizeram tentativas nesse sentido, pelo que se pode vislumbrar em sua primeira hipoteca, feita ao Banco do Brasil em 1887. Constam entre os bens dados como garantia “máquinas diversas de Lidgewood”. Estas, desde de sua chegada ao comércio brasileiro naquela época, foram sempre consideradas as mais modernas.

Ainda nesse documento, é possível ver que o barão possuía 138 cativos e que a lavoura cafeeira atingia 500 mil pés de café, de 6 a 13 anos, além de tulhas, paióis, brunidor, enfermaria assobradada para tratar os escravos, dois grandes terreiros de pedras rebocados para secar café, arroz, engenhos de farinha, de serrar madeiras e de cana para fabricar aguardente, e criação de animais. Os bens foram avaliados em trezentos e vinte sete contos, oitocentos e vinte seis mil réis (327:826$000), sendo duzentos e cinqüenta e seis contos e setecentos mil (256:700$000) o valor das terras (128.260 ares de superfície), casas, cafezais e mais benfeitorias, sete contos e duzentos mil réis (7:200$000) o valor dos acessórios, e, por fim, sessenta e três contos, novecentos e vinte seis mil réis (63:926$000) o valor dos escravos, para um empréstimo de 120 contos de réis.

Um ano após a promulgação da Lei Áurea, o barão volta a hipotecar a fazenda, agora ao Banco de Crédito Real, fazendo novamente um empréstimo de 120 contos de réis para quitar o saldo de 97 contos, 509 mil e setecentos réis da dívida contraída, em 1887, com o Banco do Brasil. A fazenda, com todos os seus pertences, foi avaliada em 240 contos de réis; portanto, apenas três anos após a primeira hipoteca, vemos uma desvalorização em torno de 87 contos de réis.

Considerando-se o valor anteriormente atribuído aos escravos (63 contos) e não incluídos entre os bens em 1890, é surpreendente verificar que, mesmo com o aumento do número de pés de café, que foi dado como 620 mil, houve uma desvalorização, ainda que pequena, da propriedade. A fazenda acaba por ser entregue ao Banco de Crédito Real, que a vende, em 1897, aos irmãos Paulo e Octavio de Oliveira Roxo, pelo preço de 230 contos de réis, com pagamento de cem contos de réis, ficando a dever 130 contos, com prazo de quinze anos para pagamento e tendo como garantia a hipoteca do mesmo imóvel.

Em 1887, por ocasião da primeira hipoteca, a fazenda fora avaliada em 327:826$000; em 1889, por 240:000$000; e, em 1897, por 230:000$000. Na cozinha, ainda se encontra o antigo fogão a lenha, datado do século XIX, até hoje em pleno funcionamento. Em 1903, a fazenda é adquirida pelo conde João Leopoldo Modesto Leal e, em 1982, recebida como herança pelos irmãos Ana Heloísa e Augusto Pascoli.

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