O
barão de Mambucaba, José Luiz Gomes,
foi o primeiro proprietário das terras da fazenda
Santa Maria, ainda no início do século
XIX. Sabe-se, no entanto, que atingiram o apogeu e
a decadência nas mãos do barão
de Santa Maria, Nicolau Netto Carneiro Leão,
que fez construir a atual sede por volta de 1858.
Em 1862, dom Pedro II, viajando pela região
para visitar as obras da estrada de ferro que levaria
seu nome, passa pela fazenda e escreve em seu diário:
“A casa do Carneiro Leão está
num belo local junto à confluência do
Sacra Família com o Piraí, que admite
com dificuldade navegação até
a vila, três léguas acima. Deve haver
aí estação. Carneiro Leão
disse-me que já tem colhido em suas fazendas
23 mil arrobas de café, e espera que a próxima
colheita seja de 18 mil e a do outro de 30 mil, tendo-o
vendido a 8$000 réis apesar de não despolpá-lo
e lavá-lo de todo”.
| A
casa de vivenda, como se dizia naquele tempo,
divide-se em três áreas distintas:
área comercial, área social e área
íntima, tendo, ao centro, o átrio
por onde circula o ar que mantém a boa
aclimatação da moradia. Os fazendeiros
fluminenses foram e são até nossos
dias acusados de terem sido atrasados quanto à
metodologia de cultivo e beneficiamento do café,
mas a realidade é que muitos foram os fatores
que levaram à decadência cafeeira
no Vale do Paraíba fluminense, que já
foram discutidos amplamente por especialistas
da área. |
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Quando se recorre aos antigos documentos, como inventários
post-mortem e hipotecas, é possível
verificar que muitos deles procuravam acompanhar as
inovações que surgiam no comércio,
principalmente no que tange ao beneficiamento e à
secagem dos frutos. O barão de Santa Maria
certamente pode ser considerado um dos que fizeram
tentativas nesse sentido, pelo que se pode vislumbrar
em sua primeira hipoteca, feita ao Banco do Brasil
em 1887. Constam entre os bens dados como garantia
“máquinas diversas de Lidgewood”.
Estas, desde de sua chegada ao comércio brasileiro
naquela época, foram sempre consideradas as
mais modernas.
Ainda nesse documento, é possível ver
que o barão possuía 138 cativos e que
a lavoura cafeeira atingia 500 mil pés de café,
de 6 a 13 anos, além de tulhas, paióis,
brunidor, enfermaria assobradada para tratar os escravos,
dois grandes terreiros de pedras rebocados para secar
café, arroz, engenhos de farinha, de serrar
madeiras e de cana para fabricar aguardente, e criação
de animais. Os bens foram avaliados em trezentos e
vinte sete contos, oitocentos e vinte seis mil réis
(327:826$000), sendo duzentos e cinqüenta e seis
contos e setecentos mil (256:700$000) o valor das
terras (128.260 ares de superfície), casas,
cafezais e mais benfeitorias, sete contos e duzentos
mil réis (7:200$000) o valor dos acessórios,
e, por fim, sessenta e três contos, novecentos
e vinte seis mil réis (63:926$000) o valor
dos escravos, para um empréstimo de 120 contos
de réis.
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Um
ano após a promulgação da
Lei Áurea, o barão volta a hipotecar
a fazenda, agora ao Banco de Crédito Real,
fazendo novamente um empréstimo de 120
contos de réis para quitar o saldo de 97
contos, 509 mil e setecentos réis da dívida
contraída, em 1887, com o Banco do Brasil.
A fazenda, com todos os seus pertences, foi avaliada
em 240 contos de réis; portanto, apenas
três anos após a primeira hipoteca,
vemos uma desvalorização em torno
de 87 contos de réis. |
Considerando-se o valor anteriormente atribuído
aos escravos (63 contos) e não incluídos
entre os bens em 1890, é surpreendente verificar
que, mesmo com o aumento do número de pés
de café, que foi dado como 620 mil, houve uma
desvalorização, ainda que pequena, da
propriedade. A fazenda acaba por ser entregue ao Banco
de Crédito Real, que a vende, em 1897, aos
irmãos Paulo e Octavio de Oliveira Roxo, pelo
preço de 230 contos de réis, com pagamento
de cem contos de réis, ficando a dever 130
contos, com prazo de quinze anos para pagamento e
tendo como garantia a hipoteca do mesmo imóvel.
Em 1887, por ocasião da primeira hipoteca,
a fazenda fora avaliada em 327:826$000; em 1889, por
240:000$000; e, em 1897, por 230:000$000. Na cozinha,
ainda se encontra o antigo fogão a lenha, datado
do século XIX, até hoje em pleno funcionamento.
Em 1903, a fazenda é adquirida pelo conde João
Leopoldo Modesto Leal e, em 1982, recebida como herança
pelos irmãos Ana Heloísa e Augusto Pascoli.
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