O
FestCafé - International Coffee Meeting -,
realizado entre os dias 20 e 22 de novembro, em Belo
Horizonte, recebeu profissionais e empresas de toda
a cadeia produtiva do café: de produtores a
compradores internacionais. Pela primeira vez no Brasil,
as duas pontas da cadeia estiveram frente a frente
em um ambiente totalmente voltado para os negócios.
A imagem que os compradores internacionais tinham
do café brasileiro melhorou depois do evento.
As visitas proporcionadas pelo FestCafé às
cooperativas, centros de excelência e fazendas
no Cerrado, Sul de Minas e Zona da Mata foram um fator
determinante para a construção de um
novo conceito. Surpresos com a qualidade encontrada
nos Cafés do Brasil, os compradores internacionais
ficaram satisfeitos em conhecer de perto todo o processo
da cadeia produtiva por meio de visitas in loco em
fazendas do Cerrado, Sul de Minas e Zona da Mata -
oportunidade oferecida pelo FestCafé.
Alguns compradores internacionais fazem parte de uma
nova geração de empresários da
cadeia produtiva que têm uma visão e
postura diferenciadas. Preocupados em trabalhar com
transparência nas relações de
mercado, adquirir produtos em bases sustentáveis
e estabelecer relações de longo prazo,
os compradores ficaram surpresos com o que encontraram
no Brasil: qualidade do produto e ambiente confiável.
“O nosso contato com o produtor foi face a face
e isso é muito importante nos negócios.
O FestCafé foi fundamental para estabelecer
essas relações”, diz o torrefador,
distribuidor de café australiano e gerente
geral da Michel’s Espresso, Instaurator. Exemplo
de satisfação com o produto mineiro
e com a confiança dispensada para fazer negócios,
Instaurator descobriu o casamento perfeito entre o
café brasileiro e a demanda australiana.

Mesa de abertura do FestCafé
Outro comprador que também ficou surpreso com
as propriedades do produto, o austríaco Leopold
Wedl - com negócios na Alemanha, Áustria
e entre os cinco maiores torrefadores da Itália
- após participar do FestCafé, afirma
ter percebido que o café brasileiro passa por
transformação. “Eu conhecia apenas
dois tipos de cafés brasileiros e aqui pude
descobrir mil novos sabores. Além disso, o
FestCafé me deu a oportunidade de aprender
novas maneiras de provar e pensar o café e
conhecer outros processos de produção”,
diz.
Representante internacional do Conselho das Associações
dos Cafeiculturores do Cerrado (Caccer) na Specialty
Coffee Association of America (Scaa) e presente ao
FestCafé, Luiz Rizental descreve as impressões
que teve sobre o evento. De acordo com ele, o FestCafé
apresentou dois importantes diferenciais: a oportunidade
de os compradores degustarem os cafés ao longo
dos três dias do evento e o oferecimento de
cursos de aperfeiçoamento gratuitamente. “Nas
feiras internacionais os cafés são vendidos
torrados. Ninguém tem a possibilidade de fazer
a degustação da maneira como ela foi
proposta aqui”, acrescenta Rizental.
O comprador russo Ilya Savinov e seu pai ficaram impressionados
com o sistema de irrigação das fazendas
do Café Cerrado e o grande potencial na maturação
dos blends para expresso. Savinov já compra
café do Sul de Minas e afirma ter grandes expectativas
de negócios em outras regiões. “Achamos
o FestCafé uma iniciativa muito inteligente,
porque acreditamos que o mercado e o marketing em
cima do café brasileiro precisa de uma melhora
urgente”, diz Savinov. O comprador americano
Joel Shuler acredita que falta para o Brasil realizar
um trabalho de marketing no exterior. “Eu gostei
muito do café brasileiro. Estão
surgindo cafés interessantes de várias
regiões. Falta fazer o marketing lá
fora para mostrar para o consumidor que o Brasil não
oferece só quantidade, mas qualidade também”,
afirma.
Shuler visitou fazendas no Cerrado, Sul de Minas e
Zona da Mata. “Em Araponga, Zona da Mata mineira,
tem um produtor de café orgânico que
está produzindo cafés excelentes, tem
outro que está usando bactéria natural
para aumentar a produção, ambos não
estão usando mais agrotóxico”,
destaca.
Esses compradores, torrefadores e importadores dos
Estados Unidos, Taiwan, Rússia, China, Alemanha,
Austrália e Áustria tiveram a oportunidade
de vir ao Brasil graças a recursos do Projeto
Comprador do Funcafé, do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e
também recursos do Projeto Comprador da Secretaria
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de
Minas Gerais.
Parceiros
do FestCafé
Vários parceiros aderiram ao FestCafé
– International Coffee Meeting. Realizado pelo
Conselho Nacional do Café (CNC), Federação
da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas
Gerais (Faemg), Governo de Minas Gerais e com importante
apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento, o FestCafé uniu várias
autoridades e gestores de importantes entidades com
o objetivo comum de promover os Cafés do Brasil.
De acordo com o presidente do Conselho Nacional do
Café (CNC), Gilson Ximenes, um fator importante
do FestCafé foi o Projeto Comprador —
iniciativa coordenada por cooperativas e produtores
—, que trouxe os compradores internacionais
ao Brasil. “Com a sustentabilidade em evidência,
é fundamental que os compradores internacionais
conheçam nossos métodos de produção,
que são os mais avançados do mundo e
que também respeitam o tripé de responsabilidade
social, ambiental e econômica. Nossa legislação
trabalhista para produzir é muito avançada,
portanto, temos que ‘vendê-la’ como
um diferencial”, afirma.
“O
intuito é dar continuidade a essa primeira
iniciativa e proporcionar ganhos aos produtores brasileiros,
mudando a situação em que o setor produtivo
fica com uma parcela de apenas 8% da receita mundial
gerada pela cafeicultura”, destaca Ximenes.
“Para um evento tão inovador, o FestCafé
foi excelente e atingiu todos os objetivos. As cooperativas
e produtores puderam ter a exata noção
do valor de um evento dessa natureza para a cafeicultura.
Foi um evento não tradicional, voltado para
a comercialização e o consumo, atraindo
compradores de fora e criando um novo modelo de negócios.
Quem participou deste primeiro FestCafé e muitos
que não puderam comparecer já manifestaram
desejo de participar do evento nos próximos
anos”, afirma o presidente da Federação
da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas
Gerais (Faemg) e do Serviço de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG),
Roberto Simões.
“Um dos principais resultados do FestCafé
foi a visita dos compradores internacionais aos produtores
mineiros. Eles elogiaram a qualidade do café
de Minas Gerais. Isso é importante para tornar
o Estado como referência internacional do produto,
além de garantir a realização
do evento nos próximos anos”, afirma
o secretário estadual de Agricultura, Gilman
Viana Rodrigues. Na opinião dele, em médio
prazo, o FestCafé promoverá o crescimento
da produção e da valorização
do café nacional.
O diretor-executivo da Abic, Nathan Herszkowicz, também
manifesta suas expectativas para futuras edições.
“O FestCafé tem tudo para passar a integrar
a agenda de eventos do agronegócio Cafés
do Brasil. Foi bem organizado, muito variado nas apresentações
e sua realização foi importante por
realçar a alta qualidade e as características
dos cafés. O FestCafé foi também
uma oportunidade de apresentarmos a exposição
Cafés do Brasil, mostra itinerante, realizada
com o apoio do MAPA, que vem percorrendo diversas
cidades do país e que tem como objetivo educar
os consumidores”, afirma Herszkowicz.
“O FestCafé foi um dos maiores eventos
de café realizados nos últimos anos.
Foi uma oportunidade para Minas Gerais apresentar
a importância socioeconômica desse setor
que emprega direta e indiretamente mais de oito milhões
de trabalhadores no Brasil”, afirma o diretor
do Departamento do Café da Secretaria de Produção
e Agroenergia do Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, Lucas Tadeu Ferreira.
Concurso
e Leilão de Qualidade Cafés de Minas
Prova da credibilidade construída desde o início,
o FestCafé sediou a final do 4º Concurso
de Qualidade Cafés de Minas, promovido pela
Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento de Minas Gerais por meio da Emater
e da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Na ocasião,
os produtores tiveram a oportunidade de apresentar
seu café para os compradores internacionais
e nacionais.
Dos 30 classificados, cinco finalistas foram escolhidos
em cada categoria – Café Natural e Cereja
Descascado/Desmucilado. “Nós tínhamos
conhecimento de que nosso produto era de qualidade,
pois trabalhamos muito para isso. Porém, não
imaginava ser o vencedor. Esse prêmio é
resultado de 12 meses de dedicação com
a lavoura, a secagem e a colheita”, conta o
primeiro lugar na categoria Café Natural, Rubaldo
Patrese, de Poços de Caldas.
O vencedor da categoria Cereja Descascado/Desmucilado,
Ralph de Castro Junqueira, de Carmo de Minas, também
presidente da Cocarive, comemorava sua primeira colocação
em um concurso de Qualidade de Café. “Buscamos
qualidade ao nosso café há seis anos.
Já participei de vários concursos ficando
em boas posições, entretanto, nunca
ganhei o primeiro lugar”, afirma. Logo após
as provas de café houve o leilão do
concurso, em que o lote mais valorizado teve a saca
arrematada por R$ 635,31 - uma valorização
de 174% frente ao preço médio da saca
de 60 quilos, vendido em Minas por cerca de R$ 240,00.
Para o presidente do Centro do Comércio do
Café do Rio de Janeiro, Guilherme Braga, o
FestCafé foi uma oportunidade de apresentar
ao grande público o bom momento que o café
brasileiro vive. Ele também considerou muito
apropriado o evento ter acontecido na capital mineira:
“Minas Gerais é um local que vem se destacando
tanto na produção quanto no consumo
de café, produto que tem um papel social importante
por empregar tanta gente aqui e em todo o Brasil.”
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