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Dezembro 2007 - Ano 86 - Nº 824

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O FestCafé - International Coffee Meeting -, realizado entre os dias 20 e 22 de novembro, em Belo Horizonte, recebeu profissionais e empresas de toda a cadeia produtiva do café: de produtores a compradores internacionais. Pela primeira vez no Brasil, as duas pontas da cadeia estiveram frente a frente em um ambiente totalmente voltado para os negócios.

A imagem que os compradores internacionais tinham do café brasileiro melhorou depois do evento. As visitas proporcionadas pelo FestCafé às cooperativas, centros de excelência e fazendas no Cerrado, Sul de Minas e Zona da Mata foram um fator determinante para a construção de um novo conceito. Surpresos com a qualidade encontrada nos Cafés do Brasil, os compradores internacionais ficaram satisfeitos em conhecer de perto todo o processo da cadeia produtiva por meio de visitas in loco em fazendas do Cerrado, Sul de Minas e Zona da Mata - oportunidade oferecida pelo FestCafé.

Alguns compradores internacionais fazem parte de uma nova geração de empresários da cadeia produtiva que têm uma visão e postura diferenciadas. Preocupados em trabalhar com transparência nas relações de mercado, adquirir produtos em bases sustentáveis e estabelecer relações de longo prazo, os compradores ficaram surpresos com o que encontraram no Brasil: qualidade do produto e ambiente confiável.

“O nosso contato com o produtor foi face a face e isso é muito importante nos negócios. O FestCafé foi fundamental para estabelecer essas relações”, diz o torrefador, distribuidor de café australiano e gerente geral da Michel’s Espresso, Instaurator. Exemplo de satisfação com o produto mineiro e com a confiança dispensada para fazer negócios, Instaurator descobriu o casamento perfeito entre o café brasileiro e a demanda australiana.


Mesa de abertura do FestCafé

Outro comprador que também ficou surpreso com as propriedades do produto, o austríaco Leopold Wedl - com negócios na Alemanha, Áustria e entre os cinco maiores torrefadores da Itália - após participar do FestCafé, afirma ter percebido que o café brasileiro passa por transformação. “Eu conhecia apenas dois tipos de cafés brasileiros e aqui pude descobrir mil novos sabores. Além disso, o FestCafé me deu a oportunidade de aprender novas maneiras de provar e pensar o café e conhecer outros processos de produção”, diz. 

Representante internacional do Conselho das Associações dos Cafeiculturores do Cerrado (Caccer) na Specialty Coffee Association of America (Scaa) e presente ao FestCafé, Luiz Rizental descreve as impressões que teve sobre o evento. De acordo com ele, o FestCafé apresentou dois importantes diferenciais: a oportunidade de os compradores degustarem os cafés ao longo dos três dias do evento e o oferecimento de cursos de aperfeiçoamento gratuitamente. “Nas feiras internacionais os cafés são vendidos torrados. Ninguém tem a possibilidade de fazer a degustação da maneira como ela foi proposta aqui”, acrescenta Rizental.

O comprador russo Ilya Savinov e seu pai ficaram impressionados com o sistema de irrigação das fazendas do Café Cerrado e o grande potencial na maturação dos blends para expresso. Savinov já compra café do Sul de Minas e afirma ter grandes expectativas de negócios em outras regiões. “Achamos o FestCafé uma iniciativa muito inteligente, porque acreditamos que o mercado e o marketing em cima do café brasileiro precisa de uma melhora urgente”, diz Savinov. O comprador americano Joel Shuler acredita que falta para o Brasil realizar um trabalho de marketing no exterior. “Eu gostei muito do café brasileiro.  Estão surgindo cafés interessantes de várias regiões.  Falta fazer o marketing lá fora para mostrar para o consumidor que o Brasil não oferece só quantidade, mas qualidade também”, afirma. 

Shuler visitou fazendas no Cerrado, Sul de Minas e Zona da Mata. “Em Araponga, Zona da Mata mineira, tem um produtor de café orgânico que está produzindo cafés excelentes, tem outro que está usando bactéria natural para aumentar a produção, ambos não estão usando mais agrotóxico”, destaca.

Esses compradores, torrefadores e importadores dos Estados Unidos, Taiwan, Rússia, China, Alemanha, Austrália e Áustria tiveram a oportunidade de vir ao Brasil graças a recursos do Projeto Comprador do Funcafé, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e também recursos do Projeto Comprador da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais.

Parceiros do FestCafé

Vários parceiros aderiram ao FestCafé – International Coffee Meeting. Realizado pelo Conselho Nacional do Café (CNC), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Governo de Minas Gerais e com importante apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o FestCafé uniu várias autoridades e gestores de importantes entidades com o objetivo comum de promover os Cafés do Brasil.

De acordo com o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenes, um fator importante do FestCafé foi o Projeto Comprador — iniciativa coordenada por cooperativas e produtores —, que trouxe os compradores internacionais ao Brasil. “Com a sustentabilidade em evidência, é fundamental que os compradores internacionais conheçam nossos métodos de produção, que são os mais avançados do mundo e que também respeitam o tripé de responsabilidade social, ambiental e econômica. Nossa legislação trabalhista para produzir é muito avançada, portanto, temos que ‘vendê-la’ como um diferencial”, afirma.

“O intuito é dar continuidade a essa primeira iniciativa e proporcionar ganhos aos produtores brasileiros, mudando a situação em que o setor produtivo fica com uma parcela de apenas 8% da receita mundial gerada pela cafeicultura”, destaca Ximenes. “Para um evento tão inovador, o FestCafé foi excelente e atingiu todos os objetivos. As cooperativas e produtores puderam ter a exata noção do valor de um evento dessa natureza para a cafeicultura. Foi um evento não tradicional, voltado para a comercialização e o consumo, atraindo compradores de fora e criando um novo modelo de negócios. Quem participou deste primeiro FestCafé e muitos que não puderam comparecer já manifestaram desejo de participar do evento nos próximos anos”, afirma o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG), Roberto Simões.

“Um dos principais resultados do FestCafé foi a visita dos compradores internacionais aos produtores mineiros. Eles elogiaram a qualidade do café de Minas Gerais. Isso é importante para tornar o Estado como referência internacional do produto, além de garantir a realização do evento nos próximos anos”, afirma o secretário estadual de Agricultura, Gilman Viana Rodrigues. Na opinião dele, em médio prazo, o FestCafé promoverá o crescimento da produção e da valorização do café nacional.

O diretor-executivo da Abic, Nathan Herszkowicz, também manifesta suas expectativas para futuras edições. “O FestCafé tem tudo para passar a integrar a agenda de eventos do agronegócio Cafés do Brasil. Foi bem organizado, muito variado nas apresentações e sua realização foi importante por realçar a alta qualidade e as características dos cafés. O FestCafé foi também uma oportunidade de apresentarmos a exposição Cafés do Brasil, mostra itinerante, realizada com o apoio do MAPA, que vem percorrendo diversas cidades do país e que tem como objetivo educar os consumidores”, afirma Herszkowicz.

“O FestCafé foi um dos maiores eventos de café realizados nos últimos anos. Foi uma oportunidade para Minas Gerais apresentar a importância socioeconômica desse setor que emprega direta e indiretamente mais de oito milhões de trabalhadores no Brasil”, afirma o diretor do Departamento do Café da Secretaria de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Lucas Tadeu Ferreira.

Concurso e Leilão de Qualidade Cafés de Minas

Prova da credibilidade construída desde o início, o FestCafé sediou a final do 4º Concurso de Qualidade Cafés de Minas, promovido pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais por meio da Emater e da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Na ocasião, os produtores tiveram a oportunidade de apresentar seu café para os compradores internacionais e nacionais.

Dos 30 classificados, cinco finalistas foram escolhidos em cada categoria – Café Natural e Cereja Descascado/Desmucilado. “Nós tínhamos conhecimento de que nosso produto era de qualidade, pois trabalhamos muito para isso. Porém, não imaginava ser o vencedor. Esse prêmio é resultado de 12 meses de dedicação com a lavoura, a secagem e a colheita”, conta o primeiro lugar na categoria Café Natural, Rubaldo Patrese, de Poços de Caldas.

O vencedor da categoria Cereja Descascado/Desmucilado, Ralph de Castro Junqueira, de Carmo de Minas, também presidente da Cocarive, comemorava sua primeira colocação em um concurso de Qualidade de Café. “Buscamos qualidade ao nosso café há seis anos. Já participei de vários concursos ficando em boas posições, entretanto, nunca ganhei o primeiro lugar”, afirma. Logo após as provas de café houve o leilão do concurso, em que o lote mais valorizado teve a saca arrematada por R$ 635,31 - uma valorização de 174% frente ao preço médio da saca de 60 quilos, vendido em Minas por cerca de R$ 240,00.

Para o presidente do Centro do Comércio do Café do Rio de Janeiro, Guilherme Braga, o FestCafé foi uma oportunidade de apresentar ao grande público o bom momento que o café brasileiro vive. Ele também considerou muito apropriado o evento ter acontecido na capital mineira: “Minas Gerais é um local que vem se destacando tanto na produção quanto no consumo de café, produto que tem um papel social importante por empregar tanta gente aqui e em todo o Brasil.”

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