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Dezembro 2007 - Ano 86 - Nº 824

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Dias azuis, com eventuais pancadas de chuva, e o cenário paradisíaco das piscinas de Porto de Galinhas foram o pano de fundo para os debates do 15º Encafé, que aconteceu entre os dias 14 e 18 de novembro, na famosa praia do litoral pernambucano. O saldo das discussões foi positivo. Os torrefadores deixaram as dependências do resort que sediou o evento com um grande desafio: inovar. Foi essa a tônica das discussões, sobretudo no primeiro dia.

A quinta edição da pesquisa Tendências do Consumo de Café no Brasil, apresentada por Ivani Rossi, diretora de planejamento da InterScience, mostrou números que apontam para a maturidade do mercado consumidor. Isto quer dizer que a penetração da bebida está estável, sem apresentar alterações drásticas: nos últimos três anos, houve variação positiva de apenas três pontos percentuais. Um outro dado relevante é o fato de os consumidores de café estarem envelhecendo. A faixa etária de maior entrada da bebida é a de 36 anos para cima.

Além disso, achocolatados, sucos prontos e água de coco ganharam mais espaço e houve uma queda no índice de percepção de que o café é insubstituível. Baseado nesses dados, o consultor Eugênio Foganholo, diretor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, destacou o grau de organização desse concorrente do café. “Hoje, as torrefadoras não disputam mercado entre si, mas com a indústria de bebidas, segmento altamente organizado, com investimentos periódicos em pesquisa e com alto poder de fogo”, destacou.

O consultor mapeou algumas possibilidades para a ampliação de mercado. Um dos caminhos possíveis para a indústria do café fazer o contraponto ao chocolate está no apelo emocional que o mesmo suscita: apelo familiar, de união, de congraçamento. As características pelas quais o café é lembrado – esquenta, anima, levanta, liga, reúne, agita, envolve, sacode, balança – precisam ser melhor aproveitadas nas campanhas publicitárias, na sua avaliação. “Elas são muito conservadoras”, ponderou Ivani, destacando que pouco acessam o jovem.

Visita ao estande do CeCafé

Esse discurso foi reforçado por Ângelo Salton, presidente da vinícola Salton, cuja história comprova que a inovação foi a chave do sucesso. “É preciso inovar para dar novas e boas razões para o consumidor continuar consumindo e, sem dúvida, algumas categorias têm sido mais inovadoras e competentes nesse sentido”, destacou ao tecer sua análise da pesquisa. Ao falar em renovação, ele destacou que as mesmas não se restringem apenas a produto, mas à precificação, embalagem e canal de distribuição.

O Encafé também foi palco para a assinatura de termos de cooperação e protocolos que garantam a melhoria da qualidade do café. O primeiro deles foi assinado entre o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chignalia, e o presidente da ABIC, Guivan Bueno. O Termo prevê o monitoramento da qualidade do café adquirido pela Câmara no Congresso Nacional. A Casa enviará à ABIC amostras do café adquirido e a entidade testará a qualidade, emitindo laudos técnicos. A intenção é de que a Câmara possa comprar pelo menor preço a qualidade mais adequada.


Manoel Bertone, Lucas Ferreira e Guivan Bueno
Outro protocolo foi assinado com a Associação de Cafés Especiais (SCAA) para garantir uma uniformidade na avaliação do café por parte dos provadores da indústria, tanto no que se refere ao grão verde, como o café torrado e moído. Mas as atividades não pararam por aí. Palestra de apelo motivacional, como a apresentada por David Portes, ou David, the camelo (pronúncia feita com sotaque em inglês, como o próprio enfatizou ao longo de toda sua fala), encantou o público que permaneceu no auditório, apesar do adiantado da hora, do estômago vazio e do sol que brilhava na rua.

A 15ª edição do Encafé também foi palco para homenagens a quem se destacou na produção de cafés de qualidade, para a realização do tradicional leilão e também para uma rodada de negócios – o Projeto Comprador – organizada pela Apex, conjuntamente com o MAPA e a ABIC, com vistas a aproximar comprador e vendedor (indústria e varejo).

O encontro teve também momento de saia um pouco apertada, quando entrou em discussão o drawback, em debate após a fala do Secretário de Produção, Manoel Bertone. Enquanto o representante oficial defende a inviabilidade política dessa prática, o presidente da ABIC, Guivan Bueno, sustentou que, mesmo tendo problemas políticos “podemos mostrar tecnicamente que o drawback soma e não traz, na verdade, uma divisão pro setor”.

O dirigente da associação dos torrefadores destacou ainda a incoerência de parte do setor ser contra a importação de café em grão para reexportação se, ao mesmo tempo, o Brasil está com suas portas abertas para a importação de café industrializado, com diversas marcas entrando e prejudicando a indústria nacional e por tabela os produtores. “Precisamos alertar a cafeicultura que se precisa fazer ajustes”, disse Bueno.

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