Dias
azuis, com eventuais pancadas de chuva, e o cenário
paradisíaco das piscinas de Porto de Galinhas
foram o pano de fundo para os debates do 15º
Encafé, que aconteceu entre os dias 14 e 18
de novembro, na famosa praia do litoral pernambucano.
O saldo das discussões foi positivo. Os torrefadores
deixaram as dependências do resort que sediou
o evento com um grande desafio: inovar. Foi essa a
tônica das discussões, sobretudo no primeiro
dia.
A quinta edição da pesquisa Tendências
do Consumo de Café no Brasil, apresentada por
Ivani Rossi, diretora de planejamento da InterScience,
mostrou números que apontam para a maturidade
do mercado consumidor. Isto quer dizer que a penetração
da bebida está estável, sem apresentar
alterações drásticas: nos últimos
três anos, houve variação positiva
de apenas três pontos percentuais. Um outro
dado relevante é o fato de os consumidores
de café estarem envelhecendo. A faixa etária
de maior entrada da bebida é a de 36 anos para
cima.
Além disso, achocolatados, sucos prontos e
água de coco ganharam mais espaço e
houve uma queda no índice de percepção
de que o café é insubstituível.
Baseado nesses dados, o consultor Eugênio Foganholo,
diretor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, destacou
o grau de organização desse concorrente
do café. “Hoje, as torrefadoras não
disputam mercado entre si, mas com a indústria
de bebidas, segmento altamente organizado, com investimentos
periódicos em pesquisa e com alto poder de
fogo”, destacou.
| O
consultor mapeou algumas possibilidades para a
ampliação de mercado. Um dos caminhos
possíveis para a indústria do café
fazer o contraponto ao chocolate está no
apelo emocional que o mesmo suscita: apelo familiar,
de união, de congraçamento. As características
pelas quais o café é lembrado –
esquenta, anima, levanta, liga, reúne,
agita, envolve, sacode, balança –
precisam ser melhor aproveitadas nas campanhas
publicitárias, na sua avaliação.
“Elas são muito conservadoras”,
ponderou Ivani, destacando que pouco acessam o
jovem. |
Visita
ao estande do CeCafé |
Esse
discurso foi reforçado por Ângelo Salton,
presidente da vinícola Salton, cuja história
comprova que a inovação foi a chave
do sucesso. “É preciso inovar para dar
novas e boas razões para o consumidor continuar
consumindo e, sem dúvida, algumas categorias
têm sido mais inovadoras e competentes nesse
sentido”, destacou ao tecer sua análise
da pesquisa. Ao falar em renovação,
ele destacou que as mesmas não se restringem
apenas a produto, mas à precificação,
embalagem e canal de distribuição.
O Encafé também foi palco para a assinatura
de termos de cooperação e protocolos
que garantam a melhoria da qualidade do café.
O primeiro deles foi assinado entre o presidente da
Câmara dos Deputados, Arlindo Chignalia, e o
presidente da ABIC, Guivan Bueno. O Termo prevê
o monitoramento da qualidade do café adquirido
pela Câmara no Congresso Nacional. A Casa enviará
à ABIC amostras do café adquirido e
a entidade testará a qualidade, emitindo laudos
técnicos. A intenção é
de que a Câmara possa comprar pelo menor preço
a qualidade mais adequada.
Manoel
Bertone, Lucas Ferreira e Guivan Bueno
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Outro
protocolo foi assinado com a Associação
de Cafés Especiais (SCAA) para garantir
uma uniformidade na avaliação do
café por parte dos provadores da indústria,
tanto no que se refere ao grão verde, como
o café torrado e moído. Mas as atividades
não pararam por aí. Palestra de
apelo motivacional, como a apresentada por David
Portes, ou David, the camelo (pronúncia
feita com sotaque em inglês, como o próprio
enfatizou ao longo de toda sua fala), encantou
o público que permaneceu no auditório,
apesar do adiantado da hora, do estômago
vazio e do sol que brilhava na rua. |
A
15ª edição do Encafé também
foi palco para homenagens a quem se destacou na produção
de cafés de qualidade, para a realização
do tradicional leilão e também para
uma rodada de negócios – o Projeto Comprador
– organizada pela Apex, conjuntamente com o
MAPA e a ABIC, com vistas a aproximar comprador e
vendedor (indústria e varejo).
O encontro teve também momento de saia um pouco
apertada, quando entrou em discussão o drawback,
em debate após a fala do Secretário
de Produção, Manoel Bertone. Enquanto
o representante oficial defende a inviabilidade política
dessa prática, o presidente da ABIC, Guivan
Bueno, sustentou que, mesmo tendo problemas políticos
“podemos mostrar tecnicamente que o drawback
soma e não traz, na verdade, uma divisão
pro setor”.
O dirigente da associação dos torrefadores
destacou ainda a incoerência de parte do setor
ser contra a importação de café
em grão para reexportação se,
ao mesmo tempo, o Brasil está com suas portas
abertas para a importação de café
industrializado, com diversas marcas entrando e prejudicando
a indústria nacional e por tabela os produtores.
“Precisamos alertar a cafeicultura que se precisa
fazer ajustes”, disse Bueno.
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